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Saudações caros amigos navegantes da Web. Comunico que o Mausoléu dos Desvairados, a partir de hoje estará no endereço: http://mausoleudosdesvairados.blogspot.com/ Convido-lhe a visitar minha casa clicando abaixo: Que os Deuses e Deusas ancestrais estejam conosco sempre! Ôbèrøn
- Postado por: Ôbèron às 09h02 [ ] [ envie esta mensagem ] Alamedas de minh'alma
Eu me lembro das quaresmeiras floridas.
Mas você diz que isso é bobagem,
Quer que eu me aprimore nos jogos da guerra.
É um minuto de paz só o que quero
vendo a carnuda flor do jasmineiro cair
espiralando no ar,
perfumando em hélice.
Você já viu uma flor de jasmim no seu cair giratório?
Eu só quero paz e você quer me devorar,
com sua boca feroz,
com sua língua sangrenta.
Passaram-se vinte anos desde aquele dia,
e você ainda faz eco daqueles sons,
teu coração guardou a inutilidade da mágoa,
da dor que você mesmo causou,
Eu sinto por ti.
Minhas roupas ainda incomodam,
minhas esperanças ainda incomodam,
meu sorriso ainda incomoda,
minhas crenças ainda incomadam,
minha leitura ainda incomoda,
meus desapegos ainda incomodam,
o que eu sou ainda te incomoda,
e você deseja a dor,
o medo e a raiva.
Você já viu uma flor do jasmim no seu cair giratório?
Hasta, vou-me pelas alamedas,
me acompanhando somente as marias-sem-vergonhas
que floram todo ano aos pés dos ipês amarelos,
e Dolores que canta diretamente ao meu coração,
(Ah, Cramberries, onde estás?).
Pela alameda fujo de seu mundo ridículo,
de regras sujas, e vaidades inócuas.
Me fortaleço na minha pacificidade.
Não me escondo na sua violência covarde.
Estou feliz aqui, porque sei que em breve,
muito em breve,
as quaresmeiras mostrarão seus botões. - Postado por: Ôbèron às 20h36 [ ] [ envie esta mensagem ] Quem bate? ...é o frio!
Esta é uma daquelas noites incrivelmente frias do inverno de Sampa. Daquelas que eu adoro sair para sentir o frio castigar meu rosto enquanto todos estão enrolados em seus cobertores classe-média assistindo algum programa em suas televisões 29". No claro da lâmpada de mercúrio da rua posso ver a garôa que cai na cidade, a rua está deserta e é assim que eu gosto dela. Me sinto um pouco bicho da noite, uma ratazana. Algo meio como aquela música dos Titãs: "Bichos escrotos saiam dos esgotos...". Caminho até a árvore defronte à minha casa, o vento faz com ela se mexa freneticamente, parece até movimento próprio, encantado. Sento no passeio, fico olhando o nada acontecer. As folhas rolando pela calçada. Um vulto de morcego cortando rápido o negro do céu noturno. Penso nos que querem me deformar, nos que não se conformam em eu não ter mudado meus sonhos no decorrer dos duros dias reais da vida. Dos que vivem de dedos cruzados orando por meu desencanto. Nos desesperançados que rangem seus dentes diante da minha alegria, do meu sonhar, da minha busca incansável por o que acredito e rezo. Poucos foram os que restaram inteiros, ou parcialmente inteiros. Olho para trás, para meus velhos amigos e companheiros na Grande Batalha e vejo cacos de gente, frangalhos de sonhos, farrapos de ideais, rôtos em seus desencantos. Amargos por suas derrotas. Mas não foram derrotados por algum fator estranho, derrotados sim por suas fraquezas, por suas lacunas. E diante do alheio, sobre sua desesperança, diz "ah mas o mundo é assim meu velho, não cabe sonhos, cabe re-a-li-da-de"...pobres desamparados em si mesmos. Só eles devem saber do horror que passam ao tentarem se olhar no espelho cruel e implacável de sua consciência em dívida. São fracos travestidos de "realistas". Realistas? então deram outro nome para os desistentes. Ah cansei de ouvir chamarem-me de visionário, alienado ou ainda sonhador inconseqüente. Crer no futuro bendito realizável, na superação virou crime no mundo preparado para a superficialidade, para o imediatismo fadado ao vazio. E a cada vitória minha vocês rangem seus dentes e vociferam impropérios e meio que prometem ser a última vez que isso irá contecer. Eu gargalho suas infelicidades escolhidas de bom grado. Eu creio num futuro aprimorado com gente de bem comigo e próximo à mim. Conheço muitos que tinham tudo para riscarem nas páginas da vida uma história cheia de feitos mas se deixaram levar pelo mau agouro dos carniceiros, dos que querem encarcerar os talentos, os que podem brilhar, luminosos que são. Acabaram escolhendo o previsível auto-holocausto à sua aventura de encantar. Não são raros os casos; aliás, são freqüentes. Sinto muito por vocês, perdedores por opção. Vocês são os que acho mais tristes. Já é quase amanhã, ...onze e tantas. O vento me estapeia deliciosamente. Antes de caminhar para casa ainda olho para o horizonte, lá nos prediozinhos quilômetros longe de meus dedos. As luzes dos apartamentos ligadas. Uma aqui outra lá, como sempre fico pensando quem habita lá dentro, o que pensam, quais suas espectativas. Se estão se questionando sobre algo interessante... ....tolice. Daqui a pouco, com um toque de sorte vou me encontrar com BlueWing, bruxa linda, mulher incrível. Daquelas que sabe ser companheira, que a gente adora compartilhar os momentos, as espectativas, os sonhos. Daquelas mulheres encantadoras que sabem dicernir o sonho do devaneio. Adoro sua intuição e seu feeling. Me faz acreditar que a vida pode sim ser compartilhada. Por ti, Filha de Diana, guerreira, sou melhor a cada dia. Você, que lendo está estas palavras, não desista de ser você, de acreditar no que acredita. Não dê crédito aos fracassados, eles são só uma sombra na terra. Vá adiante, mesmo ouvindo os côros agourentos. As dificuldades fazem parte da caminhada, não são o prenúncio de sua derrota. São o tempero da sua vitória, creia. Não mude sua essência para agradar a ninguém, não há pessoa no mundo que mereça o sacrifício da imolação da sua personalidade. Desagrade, se for o preço de se conservar inteiro, não renuncie suas virtudes em favor dos descrentes babacas, dos amargurados frustrados e dos azedos de medo. Viva esta aventura. A aventura de ser você em toda sua plenitude. - Postado por: Ôbèron às 22h59 [ ] [ envie esta mensagem ] Meu Povo Quando vou até lá não me deparo com cemitérios de elefantes. Lá todos somos sonhadores de um sonho bom. Do nosso sonho bom, do sonho de cada um. Lá dos que nada fazem não se reclama, lá se reinvidica lo camino bom. Lá ninguém é dono de la verdad e não se cansa de aprender. Ah, aprender é nosso oxigênio. Cremos no amanhã melhor sem donos da façanha. Lá todos somos irmãos e confrades, não há mestres tampouco líderes. Lado a lado estamos, num sonho de uma casa melhor. Cremos uns nos outros, lá eu respiro buenos aires, lá eu confio e tenho esperanças nos gentís, gentís que são guerreiros e guerreiras, bruxas e lobas. Mães de tetas fartas e amantes de coxas inquietas. Lá é minha casa. Na esperança de um dia estar sempre por lá, caminho por meus caminhos com passos firmes e fortes, construindo o que sonhei, dividinho minha comida e esperança. Dividinho amores e quimeras, tranformando-as em certezas. Extraindo da leyenda la verdad correcta. Libertando-me da presunção, egoísmo, mentira e falsidade, mães e pais da fraqueza. Logo lá será aqui, Yo credo, e o Rei não mais estará dormindo dentro da montanha, nem a espada estará fincada na rocha e o menestrel não estará calado. Confia em mim, e lá será aqui. Ah, Bela Cristalina Dama do Lago, se apresenta para nós mais esta vez. Y entonces os plátanos e Jequitibás cantarão por entre as alamedas incertas dos bosques a nossa canção. Nos faz novos, Mãe, lava nossos rostos com seu leite fértil e quente. Vem tocar em mim. )O( Vilarejo - Postado por: Ôbèron às 14h15 [ ] [ envie esta mensagem ] Mais perturbado e performático que a Björk em seus clipes vou atravessando esta madrugada. Enquanto nosso comportamento coletivo boçal não joga a última pá de cal na humanidade vou escrevendo minhas pautas para a próxima revista. Poderia ser algo apocalíptico, para fazer par com nosso modus-operandi, algo como Iraque, degelo das morenas, pretenções de Teerã, sementes transgênicas, o tronco das células, fundamentalismo cristão, aquecimento global causando a extinção das cervejas geladas, alastramento desordenado de ong's insípidas ou outro assunto adjacente. Mas não, é melhor falar de outro assunto mais catárzico, ecatômbico, talvez os desenhos imbecís da CartoonNetwork, não isso é o armagedon total e irrestrito, melhor falar de coisa mais leve porém não menos imoral, tipo Luis Inácio ou Geraldo Alckmim, não também é pornografia demais. Ó, Deuses, daqui de dentro do Mausoléu, tudo me parece tão enegrecido, funesto; por que não dizer derradeiro? Continuando nesta marcha estamos caminhando à passos largos para a fulminação da civilização humana como conhecemos na Terra em algumas décadas (mas peraí, isso pode não ser tão mal se for do ponto de vista do resto das formas de vida no planeta). Se houvesse um ecatombe, um cataclismo, como não sabemos fazer um fósforo (vc sabe?), tecer um corte de algodão ou outro tecido, não sabemos produzir combustível, fabricar motores, circuitos eletrônicos, remédios ou produzir energia (pois não aprendemos nada de útil e prático na escola) voltaríamos à idade da pedra em duas ou três gerações. Sem antibióticos logo estarímos morrendo de sífilis, lepra e tuberculose aos montes, sem tecidos ficaríamos pelados e nos ajeitarímos com mulambos de peles de capivaras do Tietê (se elas ainda estivessem lá), sem combustíveis tampouco carros estaríamos camelando em pouco tempo, energia eletrica, materiais de construção, abridor de latas, sem latas, combustíveis, dvd players e tv a cabo (ah, isso é dramático)... caverna escura e sem papel higiênico seria nosso destino certo. Achamos que somos desenvolvidos mas não somos, não sabemos fazer nada, apenas somos títeres das engenhocas que no início produzíamos mas que agora se produzem em máquinas automatizadas. A única coisa que nos diferencia do asno é o cérebro, e este está de a muito atrofiando pelo próprio progresso e desenvolvimento. Criatura, continua assim dando descargas intermináveis pra mandar bituca privada à baixo, jogando tranqueira no lixo como se ela evaporasse quando o lixeiro leva embora que teu bisneto vai limpar o traseiro com folha de bananeira e seu trineto vai trocar o cartão de crédito pela clava e borduna quando quiser almoçar. Não escrevi minha pauta ainda mas no alto do Mausoléu dos Desvairados já flamula a faixa "Raça Humana: Marcha Triunfante rumo ao abismo profundo." - Postado por: Ôbèron às 04h19 [ ] [ envie esta mensagem ] É, hoje os Deuses estão inspirados, o dia está lindo. Eu adoro dias "chuviscosos" e cheios de ventania, mas hoje este sol está lindo, acompanhado por uma suave brisa, o céu de um azul celeste celestial. Sim, devo admitir, é um dia maravilhoso.
Mas ao mesmo tempo que contemplo calmamente esta linda manhã de verão (uma das últimas) há em mim certo temor pelo porvir, um "q" de angústia, de desolação. Sim, amigos, algo está para se concretizar.
Some times, temos de tomar decisões. Decisões estas que são difíceis, doloridas mesmo. Diante de certas circunstâncias que a vida nos impõe (ou a gente mesmo) temos de tomar decisões amargas... gris... mas temos de fazê-lo.
Abrir mão de coisas importantes, por vezes, essenciais. É como cortar uma mão, um braço. Por um momento parace que nada mais tem sentido ou graça. Não entendemos porque a vida nos colocou nesse ou naquele impasse, nesta encruzilhada, onde temos de resolver por qual direção devemos seguir. Sabemos que estamos deixando para trás algo maravilhoso, mas tem de ser feito. Então choramos, mas sabemos que é preciso encarara tudo de frente.
O dia está lindo hoje,
...e uma parte de mim não existe mais.
Para quem gosta de Cazuza....
Blues da Piedade (Cazuza) Agora eu vou cantar pros miseráveis Que vagam pelo mundo derrotados Pra essas sementes mal plantadas Que já nascem com cara de abortadas Pras pessoas de alma bem pequena Remoendo pequenos problemas Querendo sempre aquilo que não têm Pra quem vê a luz Mas não ilumina suas minicertezas Vive contando dinheiro E não muda quando é lua cheia Pra quem não sabe amar Fica esperando Alguém que caiba no seu sonho Como varizes que vão aumentando Como insetos em volta da lâmpada Vamos pedir piedade Senhor, piedade Pra essa gente careta e covarde Vamos pedir piedade Senhor, piedade Lhes dê grandeza e um pouco de coragem Quero cantar só para as pessoas fracas Que tão no mundo e perderam a viagem Quero cantar o blues Com o pastor e o bumbo na praça Vamos pedir piedade Pois há um incêncio sob a chuva rala Somos iguais em desgraça Vamos cantar o blues da piedade Vamos pedir piedade Senhor, piedade Pra essa gente careta e covarde Vamos pedir piedade Senhor, piedade Lhes dê grandeza e um pouco de coragem. - Postado por: Ôbèron às 12h30 [ ] [ envie esta mensagem ] 24 horas de insanidade 03:15hs- É aquele sonho novamente... Nele é fim de madrugada, umas quatro ou cinco. Estou numa torre, alta, muito alta, algo como posto de vigilância, olho pro horizonte, esperando algo hostil. Sinto a espectativa forte vinda de lá de baixo na cidadela, do meu povo. Na minha direita o céu começa a ficar rajado de rosa e laranja, o Sol vai surgir em breve. Olho para o lado, tem uma garrafa de alguma bebida, dela só resta a lembrança, devo tê-la tomado por inteiro durante a vigília. ...acordo... ...hoje despertei antes do conflito. É a terceita vez este mês. 12:00hs- almoço num restaurante libanês, eu querendo conversar sobre Mata Hari e Poe e eles reality show e passista de escola de samba carbonizada, tudo bem, eu resisto, a dor prova os fortes...rs. Suportei ontem uma conversa sobre um tal de "se vira nos 30", por que não esta penitência agora?.... I will survive. 19:00hs- Na Paulista os faróis já vão abrir (parafraseando Leila Pinheiro), No rádio Billie Holiday. Enquanto aguardo observo os pedestres no passeio. Todos tão alheios ao seu derredor, afoitos, aflitos para chegar em algum lugar... para onde vão? para quem se apressam? o que desejam co'esse frenesí? sentado numa marquise um pedinte, ....estático, ....sem pressa, ...invisível... ...... verde... go on. 23:10hs- Minha taça de vinho já está vazia, me pareceu tão pequena hoje tamanha a sede de minh'alma. Como diria a Ácida: Zé Pinguinha. O barrulho da chuva cessou, pela janela entra prateadamente a luz do luar, vou até lá e me debruço nela e sinto a brisa norturna num acarícia que me faz ir tão longe quanto somente as minhas lembranças loginquas podem fazê-lo. Sento-me, abro meu Bakunin, e me alimento do fevilhar mental que só ele consegue me transmitir. 01:10hs- (des)Arrumo a cama, vou de encontro à Oneiros, senhor das ilusões e sonhos, será que este me proporcionará um sonho que não o da torre? Estou tendo mais reprise que HBO. Deveria haver um SAC para reclamações de sonhos indesejados. sono... ...escuridão profunda.. ...enfim....paz... - Postado por: Ôbèron às 01h19 [ ] [ envie esta mensagem ] Saudações, Amigos e navegantes que por aqui passam, entre as procelas, cortando-as entre a fúria dos socos de Netuno. Este é, temporariamente, o endereço de meu Mausoléu depositário de meus ossos torturados e pensamentos tortuosos. Que os Deuses Ancestrais tenham misericórdia de minh'alma inquieta. Alma inquieta que desconhece os conceitos firmados da sociedade, seu dogmas, seu paradigmas, suas dicotomias. As rejeita naturalmente, como a criança rejeita a refeição amarga. Caminhando entre suas agruras interiores e exteriores, entre a agonia e a demência, entre a sutileza e a carnificina da mente, admitindo ser meu maior tesouro a autofagia, esta mesmo que me desonra. Se você assim desejar está convidado a caminhar pelos penhascos escarpados de minha'alma. A sentir o vento que castiga insessantemente nestas altas estradas estreitas que levam ao cume da dor, que rende e redime. Que os Deuses Ancestrais tenham piedade de todas as nossas almas. - Postado por: Ôbèron às 12h13 [ ] [ envie esta mensagem ]
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